quadricromia
O Amor Bate na Aorta

Cantiga de amor sem eira 
nem beira,
vira o mundo de cabeça
para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.

Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlito.

O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.

Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.

Amor é bicho instruído.

Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que corre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender…

Quadricromia
O sol, que nada tinha de alvor, ficou decepcionado com as estrelas. A partir daquele momento, resolveu apagar seu pequeno brilho nas constelações e deixou o universo num escuro infinito.
As estrelas, tristes por não conseguirem viver na escuridão, caíram noite afora para alegria de uns poucos que olhavam pro céu. Choveu. Choveu muito. Como Amâncio nunca havia visto antes. E no instante em que olhou para o longe, o cachorro da vizinha veio ao seu encontro, e os dois, parados ali, sentiram a chuva de estrelas cadentes explodirem sobre as ruas, as casas, a cadeira de prata e os corpos do banqueiro e dEla, sua ex mulher.
Foi a primeira vez que Amâncio chorou.
Na lúgubre constelação, o que restava era o pobre sol, os olhos adormecidos da boneca, e para além, a Lua. Esta, envergonhada de ter ajudado as estrelas no roubo dos grandes olhos, também apagou. E o universo ficou assim durante cem anos de solidão.
Um dia, quando nada mais parecia brilhar, nos suaves movimentos rotatórios dos astros, sol e lua se encontraram. No momento que se tocaram, sem nenhuma procura ou intenção, os grandes olhos da boneca explodiram em luzes de diversas cores, radiando todo o céu, a terra e o infinito.
 Sol e lua se uniram. Suas cores? QUA DRI CRO MI A.
O cachorro continuou molhado. E Amâncio, que tanto esperava, que tanto almejada, que tanto buscava… Descobriu o amor. 

Quadricromia

O sol, que nada tinha de alvor, ficou decepcionado com as estrelas. A partir daquele momento, resolveu apagar seu pequeno brilho nas constelações e deixou o universo num escuro infinito.

As estrelas, tristes por não conseguirem viver na escuridão, caíram noite afora para alegria de uns poucos que olhavam pro céu. Choveu. Choveu muito. Como Amâncio nunca havia visto antes. E no instante em que olhou para o longe, o cachorro da vizinha veio ao seu encontro, e os dois, parados ali, sentiram a chuva de estrelas cadentes explodirem sobre as ruas, as casas, a cadeira de prata e os corpos do banqueiro e dEla, sua ex mulher.

Foi a primeira vez que Amâncio chorou.

Na lúgubre constelação, o que restava era o pobre sol, os olhos adormecidos da boneca, e para além, a Lua. Esta, envergonhada de ter ajudado as estrelas no roubo dos grandes olhos, também apagou. E o universo ficou assim durante cem anos de solidão.

Um dia, quando nada mais parecia brilhar, nos suaves movimentos rotatórios dos astros, sol e lua se encontraram. No momento que se tocaram, sem nenhuma procura ou intenção, os grandes olhos da boneca explodiram em luzes de diversas cores, radiando todo o céu, a terra e o infinito.

 Sol e lua se uniram. Suas cores? QUA DRI CRO MI A.

O cachorro continuou molhado. E Amâncio, que tanto esperava, que tanto almejada, que tanto buscava… Descobriu o amor. 

 Ferrugem 
Nem maria, eduarda, eugênia, teresa, luiza e muito menos Aurélia. Ela que não tinha nome matou o marido, jogou o corpo no rio e não quis mais saber. Pegou sua cadeira de prata e foi viajar.
Visitou todos os mundos que lhe cabia. Pra lugares imaginários que nem ela mesma soube responder as específicas localizações. A viagem terminou quando a cadeira ficou muito velha e não pôde mais sustentá-la.
Resultado: arrependida de ter jogado o marido no rio, jogou-se também.  A cadeira enferrujada permaneceu na sala, aonde nunca havia sido retirada.

Ferrugem

Nem maria, eduarda, eugênia, teresa, luiza e muito menos Aurélia. Ela que não tinha nome matou o marido, jogou o corpo no rio e não quis mais saber. Pegou sua cadeira de prata e foi viajar.

Visitou todos os mundos que lhe cabia. Pra lugares imaginários que nem ela mesma soube responder as específicas localizações. A viagem terminou quando a cadeira ficou muito velha e não pôde mais sustentá-la.

Resultado: arrependida de ter jogado o marido no rio, jogou-se também. A cadeira enferrujada permaneceu na sala, aonde nunca havia sido retirada.

Raios de Alvor
A boneca tinha dois grandes olhos lunares que brilhavam em sincronia com as luzes das constelações. As estrelas, coitadas, morriam de inveja do imenso brilho produzido pelo olhar.
Em todo o pôr do sol, quando a grande estrela do norte se despedia das suas filhinhas, surgia no horizonte oposto os dois grandes olhos iluminados que irradiavam o céu.
Certa vez, as estrelas se reuniram na Décima Convenção das Constelações e armaram um plano contra a boneca. Mas elas não podiam contra o brilho eterno dos grandes olhos. Recorreram à mãe Lua. Esta, por não possuir brilho próprio, era a mais invejosa de todas. Seu maior desejo era ter aqueles raios de alvor.
Não deu outra. No dia em que o cintilante sol se foi e os grandes olhos se abriram, a Lua e todas as estrelas das constelações cercaram a boneca e tentaram arrancar seus olhos. A Boneca clamava por ajuda de todos os planetas e meteoros. Ninguém a socorreu.
Quando acordou, descobriu que a partir daquele momento viveria para sempre na escuridão. A pobre boneca desbotada não pôde nem ao menos chorar.
O que as estrelas fizeram com os olhos? Entregaram de presente aos buracos negros. E ninguém da constelação soube dizer o porquê do céu estar tão escuro desde então. 

Raios de Alvor

A boneca tinha dois grandes olhos lunares que brilhavam em sincronia com as luzes das constelações. As estrelas, coitadas, morriam de inveja do imenso brilho produzido pelo olhar.

Em todo o pôr do sol, quando a grande estrela do norte se despedia das suas filhinhas, surgia no horizonte oposto os dois grandes olhos iluminados que irradiavam o céu.

Certa vez, as estrelas se reuniram na Décima Convenção das Constelações e armaram um plano contra a boneca. Mas elas não podiam contra o brilho eterno dos grandes olhos. Recorreram à mãe Lua. Esta, por não possuir brilho próprio, era a mais invejosa de todas. Seu maior desejo era ter aqueles raios de alvor.

Não deu outra. No dia em que o cintilante sol se foi e os grandes olhos se abriram, a Lua e todas as estrelas das constelações cercaram a boneca e tentaram arrancar seus olhos. A Boneca clamava por ajuda de todos os planetas e meteoros. Ninguém a socorreu.

Quando acordou, descobriu que a partir daquele momento viveria para sempre na escuridão. A pobre boneca desbotada não pôde nem ao menos chorar.

O que as estrelas fizeram com os olhos? Entregaram de presente aos buracos negros. E ninguém da constelação soube dizer o porquê do céu estar tão escuro desde então. 

Aqui jás Harry Potter

A saga do bruxinho mais famoso do cinema chega ao fim no dia 15 de julho, com a estréia do ultimo e também esperado filme Harry Potter e as Relíquias da Morte parte II. Há quem diga que é o fim de Harry Potter e de sua literatura comercial. O feitiço virou contra o feiticeiro?

No dia 30 de junho de 1997, o primeiro livro da série que iria promover uma legião de fãs por todo o mundo, ao longo de 10 anos de publicação chegou às livrarias. Em 2001, o filme baseado no primeiro romance, Harry Potter e a Pedra Filosofal, entrou em cartaz nos cinemas. E agora, Harry Potter e as Relíquias da Morte parte II, a ultima versão cinematográfica produzida da saga, estreia no próximo dia 15 de julho e já deixa seus admiradores desconsolados.

Há quem diga que Harry Potter será lembrado por todos como o bruxinho mais famoso do cinema e da literatura. Outros dizem que daqui há dez, ou ainda, cinco anos, a Pottermania não mais existirá. Discussões à parte, a saga que conta a história das aventuras e desventuras de Harry e seus amigos Rony e Hermione já vendeu 350 milhões de exemplares no mundo inteiro. Graças ao dinheiro ganho com as vendas, a escritora J. K. Rolling se tornou a primeira pessoa bilionária escrevendo livros. Para se ter uma ideia do fenômeno mágico do Harry Potter, a primeira história adaptada para os cinemas é o quinto filme mais visto de todos os tempos. E ainda: o sexto romance, Harry Potter e o Enigma do Principe, foi o livro vendido com mais rapidez da literatura mundial.

Indústria Harry Potter

A série infanto-juvenil conhecida em 42 países e traduzida para 35 idiomas narra à história de um garoto deixado para os tios após a morte de seus pais. O menino de 10 anos vive então num armário debaixo da escada e usa as roupas velhas de seu primo. Até que se descobre um bruxo no seu décimo primeiro aniversário, e o melhor: muito famoso e conhecido por ter destruído, ainda bebê, o maior mestre das artes das trevas, Lord Voldemort. Harry vai parar na escola de magia e bruxaria de Hogwarts e conhece os amigos inseparáveis Rony e Hermione. Aventuras à parte, a saga revela o crescimento e maturidade de um adolescente que sofre pela perda dos pais, diverte com os amigos, chora e se apaixona.

Quando J. K. Rolling escreveu o primeiro livro, ela não fazia ideia de como o sucesso iria ser mágico. O primeiro esboço escrito pela inglesa foi feito num guardanapo, sentada numa mesa de bar. Terminado, Rolling mostrou o livro há várias editoras que recusaram a publicação. O maior argumento era que crianças e adolescentes não gostavam de ler romances muito grandes (263 páginas) sem imagens decorativas. Deu no que deu. Hoje existe toda indústria de consumo Harry Potter: quadrinhos, roupas, acessórios, livros relacionados, cinema, sites, comercio editorial (caderno, cartaz, pôster), guloseimas, games, programas de televisão, parques temáticos. E não para por aí. Os três protagonistas dos filmes, Daniel Radcliffe (Harry), Emma Watson (Hermione) e Rupert Grint (Rony) são considerados os jovens mais ricos da Inglaterra. A escritora J. K. Rolling, além de bilionária, chegou a abrir mão dos incontáveis prêmios que conquistou durante todos os anos mágicos.

Será o fim?

Mas a pergunta que fica é: Será que Harry Potter viverá no imaginário literário até quando? Para um dos maiores críticos mundiais da literatura, Harold Blood, o bruxinho está com os dias contados. O crítico inglês vê o fenômeno como um sucesso passageiro. “Sempre houve, na história da literatura ocidental, livros que são muito populares, entre adultos e crianças, mas 30 ou 40 anos depois ninguém se lembra quais são… Viram pó.” Harold Blood disse, em entrevista à Folha Online, que as crianças deveriam ler Alice no País das Maravilhas de Lewis Carrol. “Acredito que no Brasil seja igual, que vocês tenham fantásticos autores que não são mais lidos, pois as crianças só querem ler Harry Potter.”

Só no Brasil, a série Harry Potter vendeu 3 milhões de exemplares. Um número expressivo comparado a venda de outros livros, inclusive brasileiros, como o clássico Sítio do Picapau Amarelo de Monteiro Lobato. A doutora em literatura Maria Lúcia Bandeira Vargas publicou um artigo no Caderno de Letras da Universidade Federal Fluminense (UFF) com o título: Harry Potter como formador de leitores e co-leitores. Basicamente Maria Lúcia promove uma discussão acerca do universo da cultura jovem: relação entre cultura erudita e cultura de massa, arte e indústria cultural.

Segundo a doutora, o fenômeno Harry Potter foi o boom para que jovens de todo o mundo começassem a criar um gosto literário. “Pode ser observada uma crítica depreciativa da obra, mais especificamente dos livros, que não são concebidos como suficientemente bem construídos para serem considerados dignos do crédito de Literatura com “ele” maiúsculo, ficando sujeitos a título de literatura comercial e assemelhados”, analisa.

Maria Lúcia Bandeira diz que o discurso de reprovação ao consumo de Harry Potter como literatura comercial confere ao público uma espécie de sofisticação intelectual imediata e de fácil obtenção. Como as críticas das obras de Paulo Coelho ou do hábito de assistir à televisão. Os jovens leitores de Harry Potter, no entanto, pouca ou nenhuma importância conferem a esse debate, e continuam consumindo a obra e dela retiram possibilidades de enriquecimento pessoal, tanto afetivo como intelectual.

Entre opiniões diversas, o caso é que os pottermaníacos de todo o mundo já preparam suas fantasias de bruxos estudantes, tiram o pó do chapéu e compram os ingressos antecipados para 15 de julho, estréia do ultimo e tão esperado desfecho da saga que conquistou toda uma geração. Harry não é mais uma criança inocente… E nem seus fãs. O futuro é incerto na saga de magia do talvez ex bruxinho mais famoso de todos os tempos. O que se pode prever são incontáveis dólares para o trio protagonista e mais fortuna para a mamãe que gerou e criou seu filho Harry tão bem, a escritora e também bilionária J. K. Rolling, responsável por tudo isso.

A MAGIA QUE FICOU PRA GUARDAR HISTÓRIA

 “O Senhor dos Anéis”

Literatura

 Escrito entre 1937 e 1949, o romance de fantasia foi criado pelo britânico J. R. R. Tolkien. O Senhor dos Anéis arrasta uma teia de fãs por todo o mundo e mesmo escrito na primeira metade do século XX, ainda hoje bate recordes de vendas. Numa Europa mitológica, raças de seres mitológicos vivem em guerras. O livro guarda um fundo material rico de história e linguagem. Tolkien escreveu o livro no período de guerras mundiais e no livro há relações histórias e sociais. Foi adaptado para os cinemas em 2001, sucesso de crítica e de premiações.

 “A feiticeira”

Televisão

 Há trinta anos apareceu uma simpática bruxinha loura nas TVs mundiais. No seriado “A feiticeira” a loirinha não voava em vassouras e muito menos tinha verrugas no rosto. Uma típica família americana, com a diferença da dona de casa Samantha ser uma bruxa do bem que podia fazer magia com um simples movimento no nariz. O sucesso foi tão grande que até hoje as TV americanas passam o seriado da década 60 e exportam para outros países, inclusive  no Brasil em 2007.

 “Fantasia”

 Cinema

 Ganhador de dois Oscars, o filme Fantasia foi produzido pela Walt Disney em 1940. O longa-metragem é considerado um clássico dos desenhos de magia por colocar o ícone Michey como feiticeiro e reunir elementos visuais da bruxaria, como o chapéu mágico, o caldeirão e as vassouras voadoras. Um marco para o cinema da época, Fantasia até hoje é estudado e aclamado pela crítica.

 “As crônicas de Nárnia”

Literatura

As Crônicas de Nárnia são ao todo, sete pequenas histórias sobre a terra mitologia de Nárnia. Escrito por C. S. Lewis, entre 1949 e 1954, é considerado um clássico das histórias infantis. Em todas as crônicas, há uma relação com histórias bíblicas, como a morte de Jesus Cristo ou o nascimento do mundo. Quase 70 anos depois, o grande livro com 750 páginas ainda sobrevive no imaginário literário de milhares de jovens assíduos por leitura fantástica. Em 2005 foi produzida a primeira versão cinematográfica, que não foi muito bem aceita pela crítica.

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And I saw my shadow next to yours. Slowly fade away.

 

a cidade era toda feita de ouro.

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peixe mutante de papel bota ovos estrelados

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VERDADE: A MENTIRA TEM PERNAS LINDAS. 

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